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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Teatro Caraubense em 3 Tempos - 2

Anchieta Fernandes


Durante o século 20, o pessoal de teatro em Caraúbas deixou de representar apenas no palco do Teatro São Sebastião, mesmo porque o teatro da cidade deixou de ser apenas para apresentações de peças de teatro, adaptando-se aos novos tempos, mudando o nome para Cine Teatro São Sebastião, mostrando também filmes, quando passavam exibidores itinerantes.

Nas salas escolares, passaram a se desenvolver as jovens vocações teatrais. Como a escritora caraubense Salete Fernandes Tavares relembrou , em seu livro “Acordes da Alvorada” (Edição Sebo Vermelho, 1999), as datas festivas como Independência do Brasil, Proclamação da República, Dia das mães, festejos juninos etc. todas eram comemoradas de diverss maneiras, com desfile escolar, declamações de textos ou poesias, apresentações de danças e dramatizações. Ela própria chegou “a representar papéis dramáticos”.

Esta atividade didática voltada para despertar o interesse dos estudantes caraubenses para a prática do teatro, inclusive, se estendeu às escolas isoladas de fazendas e distritos. Em setembro de 1985, por exemplo, a Escola Rural do Distrito de São Geraldo, sob a orientação da diretora Francisca Pereira de Castro, comemorou a Semana da Pátria com vasta programação, de 1º a 7 do referido mês, incluindo apresentações musicais e textos lidos pelos alunos, desfile e concentração escolar, e por fim a apresentação de um drama interpretado pelos alunos.

Na década seguinte, uma boa iniciativa foi tentada, para incentivar mais ainda o teatro estudantil em Caraúbas, mas se frustou por causa de um desentendimento.

Em junho de 1961, fora lançado na cidade o jornalzinho “O Estudante”, órgão “literário, noticioso e independente, de propriedade dos alunos do Ginásio Comercial Sebastião Gurgel”. O fundador (e diretor) era Theotônio Neves de Brito e os redatores eram Valdete Alves de Queiroz, Raimundo Gurgel Pinheiro e Francisco Fernandes Praxedes.

Com a coragem de pensar juvenilmente o certo, radicalizando mais para a esquerda que para a direita, eles tentaram no entanto organizar um movimento puramente cultural em prol dos jovens caraubenses, o Teatro de Amadores Caraubenses, que foi interpretado, devido a sigla (TAC), como sendo Trabalhadores Agrários Comunistas. Pois os jovens estudantes eram jovens líderes intelectuais, que tentavam conscientizar os trabalhadores caraubenses dos seus problemas e de possíveis soluções, participando de reuniões na Casa dos Trabalhadores Rurais. Com o falatório e a rejeição pelos próprios jovens caraubenses, o TAC não se concretizou.

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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Teatro Caraubense em 3 tempos – 1


Anchieta Fernandes

Pouca gente sabe, hoje, que a cidade de Caraúbas, atualmente dotada de um braço da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, já teve um movimento teatral bastante animado. Ainda no século 19, José Cromácio de Brito construiu para os caraubenses o Teatro São Sebastião. E nele, os filhos e filhas da terra começaram a apresentar espetáculos dramáticos.

Para comprovar, basta transcrever a notícia que o jornal natalense “A República”, de 02 de março de 1900, publicou, com reportagem enviada pelo correspondente em Caraúbas, destacando: “Na noite de 18 foi levado à cena no nosso modesto teatrinho o drama em quatro atos “Os brilhantes de minha mulher”, no qual trabalharam bem regularmente, jovens amadores. No difícil papel de Adélia sobressaiu-se a exma. Dona Rosa de Brito, sendo entusiasticamente aplaudida pela platéia.”

A apresentação destas peças pelos artistas de teatro caraubenses no Teatro São Sebastião, se tornou uma constante, sendo por fim fundado por eles o clube dramático Segundo Wanderley, que tinha como finalidade (segundo dizia os estatutos) “difundir a instrução dramática entre os sócios e dar espetáculos públicos, levando à cena dramas e comédias.” O presidente do clube era o Dr, Alfredo Celso.

O mesmo jornal “A República”, a 17 de fevereiro de 1915 noticia: “Os moços do clube dramático Segundo Wanderley, levaram à cena no dia 18 de janeiro, no Teatro São Sebastião, o bonito drama “O Primeiro Amor”, cujo desempenho foi bastante satisfatório, salientando-se os senhores Firmino Gurgel, no papel de Dr. Nilo e João Gomes, no de Carlos Dervy. A interessante Iracema Gurgel desempenhou a contento de todos o difícil papel de Alba. Na comédia, o endiabrado Nutinho, com as lagartixas, ratos e gafanhotos a percorrerem seu intestino, fez arrancar do auditório boas e prolongadas gargalhadas”.

Ainda na mesma reportagem, o jornal noticiava outro espetáculo, apresentado no Teatro São Sebastião; “No dia 20, um grupo de gentis senhoritas, no mesmo teatro, levou à cena o drama “S. Aguilina”, sendo todos os papéis bem desempenhados. Merecem especial menção as gracis senhoritas Ezilda Lemos e Letice Fernandes nos papéis de S. Aguilina e Thecusa – menina pagé”. Estes incipientes grupos de teatro em Caraúbas tiveram mérito duplo, pois incentivavam os jovens à prática da arte e também o mérito da assistência social, pois o rendimento da bilheteria das peças não resultava somente em lucro próprio, se fazendo também espetáculos beneficentes em prol de obras de caridade.

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