quarta-feira, 10 de março de 2010

SÉRIE ENTREVISTAS

ENTREVISTADO: José Maria Júnior – Presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Caraúbas – STTRC


- Dia 07 último, ele completou 37 anos e aproveitamos aqui para deixar os nossos votos de felicidade e sucesso.

O ALPENDRE – Como iniciou nos Movimentos Sociais?


Jr. Olha minha vida não tem sido muito diferente das demais pessoas, nasci no campo, sempre estudei em escola publica inclusive tendo que percorrer 09 (nove) km diariamente de bicicleta (1984 a 1991) entre a comunidade do Rio Umari e a cidade de Olho D’água do Borges para cursar da 5ª serie ao 3º ano do segundo grau; trabalhei na frente de serviço (programa de emergência) no inicio da década de 80 (oitenta) e terminando o segundo grau fui indagado por minha família se gostaria de fazer o vestibular ou se queria ir para São Paulo; imagine, optei em ir para São Paulo. Fiquei por 06 (seis) meses não me adaptei aquela realidade maluca e voltei, logo em seguida fui convidado para lecionar no ensino fundamental (governo Caraubas em Paz) entregando o cargo 05 (cinco) meses depois, época em houve o maior desastre na educação publica de Caraúbas, estive em Brasília também não gostei e vim embora. Em 1995 fui convidado a fazer parte da associação local (Associação Comunitária Rural de Abderramant) e em janeiro de 1999 passei a presidi-la, a partir daí comecei a criar laços mais fortes com o restante do município de Caraúbas, e no mesmo ano fui eleito suplente de delegado sindical de base, como o titular era professor e não pode se dedicar, acabei assumindo o trabalho; tornei-me vice-presidente deste sindicato em maio de 2002 e a partir de 2005 Presidente, cargo que assumo até hoje (segundo mandato). a entre a comunidade do rio umari e a cidade de Olho D’água do Borges

O ALPENDRE – Fazendo uma retrospectiva, como você analisa a presença do Governo Federal (atual e anteriores) nas políticas do campo?

Jr. Sem dúvida existe um grande diferencial, pois nunca se olhou com tanta atenção e determinação não só para o campo como também para as classes sociais menos favorecidas, porem existem alguns gargalos como por exemplo (considero este o mais grave) a reforma agrária, instrumento que mais pode contribuir para a redução da pobreza e da concentração de riquezas não consegui avançar, pelo contrário, sofreu retrocessos. O ultimo senso agropecuário do IBGE mostra claramente esta disparidade na distribuição da terra no território nacional.

O ALPENDRE – Para você, o que é Justiça Social?

Jr. Distribuição justa das riquezas e conseqüentemente Igualdade de direitos.

O ALPENDRE – Nos últimos oito anos, vimos ascender no Brasil um cenário muito favorável ao aparecimento de Ongs na defesa das mais variadas causas. De maneira nacional e local, como você analisa a presença dessas instituições no tocante à melhoria de vida do povo?

Jr. Tem sido uma de nossas lutas e conseguimos implementar a partir da realização dos nossos GTB’s (Grito da Terra Brasil- mobilizações de trabalhadores e trabalhadoras rurais do Brasil, ano passado aconteceu o 15º ) a criação de um sistema de assessoria técnica não estatal (daí o surgimento das ONG’s) haja vista que a oferecida era e ainda é insuficiente. Vejamos a situação de nossa EMATER, dois ou três profissionais para uma demanda de aproximadamente duas mil famílias. Neste sentido estas têm sido de fundamental importância na implementação de projetos e políticas publicas não só voltadas para o campo mais também para a cidade, nosso município é um exemplo.

O ALPENDRE – Olhando para o nosso contexto local de sociedade civil organizada, o que ainda falta para empreendermos avanços mais significativos que os já obtidos?

Jr. Acredito que uma maior conscientização política, a partir de dirigentes e da sociedade como um todo, unir os movimentos do campo e da cidade, maior capacidade de mobilização, intervenção e ocupação dos espaços públicos.

ALPENDRE - Resuma para os leitores do alpendre como se encontram organizados os trabalhadores rurais do nosso município, citando as instituições envolvidas:

Jr. A começar colocamos que tudo se iniciou com a criação de Delegacias Sindicais (Cachoeira e São Geraldo) outras vieram em seguida, hoje são 11 (onze): Cachoeira, São Geraldo, Rio Umari, Santo Antonio, Olho D’água do Milho, Mariana, Volta do Juazeiro, Mirandas, Santa Agostinha, Igarapé e Lajes do Livramento; o FOCAMPO, aglutinando mais de 50 (cinqüenta) associações, divididas em 05 (cinco) regiões e 10 (dez) pólos, capitaneados pelo nosso Sindicato. Ainda existem a ATOS e o Centro Sabe Muito alem da EMATER alem de outros externos.

O ALPENDRE – Que espaço ocupa Deus no coração do militante “Júnior do Sindicato”?

Jr. O espaço do ser maior, capaz de todas as coisas e condutor de nossas vidas.

O ALPENDRE – Especula-se em alguns meios de comunicação local uma provável candidatura sua à cadeira do Executivo do nosso município. Perguntamos se de fato há essa possibilidade e assim sendo, qual a importância de termos um nome ligado às bases e aos Movimentos Sociais como candidato a prefeito de Caraúbas?

Jr. Temos a compreensão de que só teremos um governo justo quando ocupando o poder estiver alguém que seja formado nos meios, este projeto sempre foi trabalhado, é uma orientação do nosso movimento sendo que o nome, o tempo e a conjuntura vão dizer.

O ALPENDRE - Caso haja a confirmação desse projeto, teria ele um perfil de "terceira via" evento já muito discutido entre organizações da sociedade civil?

Jr. Na conjuntura atual e assim se mantendo, teria que ser.

O ALPENDRE - O blog abre aqui um espaço final para sua mensagem aos nossos leitores:

Jr. Inicialmente, agradecer o espaço, o convite afirmando a nossa felicidade em poder externar para os/as leitores/as deste veículo de informação, um pouco de nosso trabalho, do nosso dia a dia; colocarmos a disposição para qualquer que seja a necessidade e mais uma vez afirmar que os movimentos sociais, a sociedade organizada de modo geral é quem tem contribuído para as mudanças mais profundas neste país; neste sentido tenho certeza que mesmo em que pese alguns retrocessos o nosso município tem feito sua parte.

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